São Borja ganha Memorial João Goulart

A prefeitura de São Borja e a Associação Amigos João Goulart inauguram nesta quinta-feira, 1º de outubro, o Memorial João Goulart. O casarão que pertenceu à família do ex-presidente da República foi doado ao município e restaurado com apoio da iniciativa privada.

Casa do Jango Foto: Cleber Dioni

O espaço cultural disponibiliza fotografias e objetos pessoais de Jango, materiais que estavam no Museu da República, no Instituto João Goulart, administrado pela família, e na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e também presentes recebidos em diferentes países.

Os visitantes poderão ainda assistir a vídeos e conhecer móveis originais do local. Na área anexa à casa, nos fundos do terreno, onde Jango, o irmão Ivan e amigos como Deoclécio Motta* (*leia entrevista abaixo), costumavam brincar, serão instalados um escritório do Instituto João Goulart, uma cafeteria e uma loja de produtos artesanais.

Construído em 1927, o imóvel foi tombado como patrimônio histórico do Estado em 1994. Fica na avenida Presidente Vargas, 2033, no Centro, mesma rua do museu Getúlio Vargas.

O projeto de restauração foi executado pela Lahtu Sensu Administração Cultural e pela Cida Planejamento Cultural, com apoio da prefeitura, do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Rio Grande do Sul (Iphae) e patrocinado pela AES Sul, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Getulio Vargas

O advogado Christopher Goulart, neto de Jango e filho de João Vicente, está à frente da mobilização em defesa da memória do avô, inclusive foi o único que lembrou em seu blog a passagem dos 90 de nascimento do líder trabalhista, em 1º de março deste ano.

Christopher destaca que o mais importante na iniciativa é permitir que as gerações mais novas conheçam a trajetória de Jango e parte da história brasileira. “Aproveitamos para propor uma reflexão sobre o período da ditadura militar, um golpe contra as reformas de base propostas por Jango”, diz .

Informações para visitação pelo telefone (55) 3431-5730 ou por e-mail: casajoaogoulart@saoborja.rs.gov.br.

QUEM FOI

João Belchior Marques Goulart, filho de Vicente Rodrigues Goulart e Vicentina Marques Goulart, nasceu no dia 1º de março de 1919 na Estância Yguariaçá, no distrito (hoje município) de Itacurubi, em São Borja.

Foi casado com Maria Thereza Goulart, a primeira-dama mais bonita do país, com quem teve dois filhos, João Vicente e Denise, hoje com 41 e 39 anos, respectivamente.

O início da carreira política foi como deputado estadual em 1947, quando se elegeu com pouco mais de quatro mil votos para a Assembléia gaúcha.

Antes de assumir a presidência da República, foi por duas vezes vice-presidente, de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e de Jânio Quadros (31 de janeiro a 25 de agosto de 1961).

Através das “Reformas de Base” de seu governo, criou admiradores e inimigos poderosos. Foi deposto da presidência em 1964 através de um golpe militar, tendo se exilado no Uruguai e na Argentina. Morreu 12 anos depois, quando se preparava para voltar e ser apenas o estancieiro Jango.

Tag em: Jango, João Goulart

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Nasceu em Cacequi (RS) em 1944. Começou na Folha da Tarde, de Porto Alegre, em 1967. Trabalhou em Veja, IstoÉ, Gazeta Mercantil, O Estado de São Paulo, Folha da Manhã. Foi um dos fundadores do Coojornal, do qual foi editor.

3 Comentários

  1. Naziani Schweinitz Lescano Responder

    Boa noite, parabéns pelo memorial. Estou fazendo um curso de especialização em História Contemporânea. Meu assunto para o tcc está sendo sobre João goulart e a imprensa gaucha, ou seja preciso saber sobre dois jornais da época da queda de Jango. O que comentavam, qual era o posicionamento dos mesmos sobre a queda de Goulart. Se puderem ajudar – me fico muito grata. Desde já obrigado.

  2. Geraldo Gabriel Araújo Responder

    Apocos dias atrás, inicio de março de 2010, li no jornal Correio do Povo de que haverá um concurso de poesia em Memória de João Goulart, que será escolhido 20 poesia; como gosto muito da sua história, já fiz minha poesia…gostaria de saber como faço para envia-la a comissão julgadora.
    Atenciosamente aguardo resposta.
    Geraldo Gabriel Araújo de Boa Vista do Cadeado.

  3. Luiz Paulo Correa Soares Responder

    Hoje pela manhã, assistindo o noticiario da Rede Record, como sendo São Borjenses, mas atualmente morando em Caxias do Sul a mais de 20 anos, ficamos muito felizes pelo sinal da emissora entrando em São Borja, e também por saber que foi inaugurado o museu que retrata a memória de João Goulart, e mais por ter morado por 18 anos nesta residência junto a minha mãe Isaura Rodrigues Soares até 1978, que trabalhou com a familia Goulart por muitos anos, e anterior a esta data ela tambem trabalhou na fazenda Rancho Grande e na Granja que eram os chodós de Jango, sendo eu afiliado de João Goulart. Tive a oportunidade de conviver com Regina Goulart, com Deoclécio, “popular Bijuja” e gerente d Jango, familia Percí Penalvo que vieram do Uruguai para o Brasil. E uma das lembraças que tenho deste tempo em que moramos na casa, foi minha mãe, na época da ditadura, não permitindo que os navais entrassem na residencia pra procurar armas escondidas, conforme denuncia. Minha mãe foi tão corajosa, nao permitindo a entrada da policia naval mesmo sobre ameassa, pois sabia que não havia armas na casa.
    Sinto muito orgulho de ter feito parte de uma história, mesmo por trás dos bastidores, que hoje é retratada na história do Brasil, junto a família João Goulart.

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